
quinta-feira, 22 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
LEITURA COMPARTILHADA: UM APÓLOGO

Um Apólogo
Machado de Assis
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.
PAUTA - ORIENTAÇÃO TÉCNICA 15/04/2010
"Só se ensina com paixão e é necessário estar em permanente processo de alimentar a nossa paixão de ensinar".
Madalena Freire
5º Encontro –“ Programa Ler e Escrever” / Ciclo I
Contexto:
O trabalho com Tematização da Prática permite uma reflexão mais aprimorada das ações realizadas no cotidiano. Portanto, permitir reflexão de bons modelos, analisar boas práticas e revisitar a ação não é uma tarefa necessária e possível no cotidiano escolar.
Porém, é importante considerar que a definição ou não deste contexto altera significativamente as ações docentes. Para discutir esse assunto, vamos refletir sobre as possibilidades de trabalho com um propósito claro e compartilhado no grupo de formação: Formação do Professor em serviço.
No segundo momento, estaremos comungando as questões inquietantes no Ensino de Matemática, ou porque não dizer na Aprendizagem da Matemática.
Ao se pensar atualmente na Aprendizagem de Matemática nas séries iniciais, muito se tem falado no objetivo de desenvolver, no aluno, as competências e habilidades matemáticas para a vida na sociedade hoje. Porém, definir quais são essas habilidades, consubstanciar uma proposta que atenda a essa concepção e operacionalizá-la não tem sido tarefa de fácil realização: nesta ótica, daremos luz à nossa reflexão e estudo.
Objetivos:
* Análise do resultado do SARESP e discussão das metas à serem atingidas;
* Compreensão do processo dos níveis de proficiência;
* Socialização da Tematização da Prática, envolvendo o aspecto formativo na competência Leitora do Professor;
* Contextualização do Ensino de Matemática, uma prática docente no cotidiano escolar, aqui e agora.
* Reflexão sobre o Ensino de Matemática que desenvolva competências para a vida
Conteúdo:
* SARESP 2.009;
* Tematização da Prática;
* Ensino da Matemática
1º momento - Manhã
Desenvolvimento:
1ª atividade. (15m)
Leitura feita pela Formadora
2ª atividade (15m)
Esclarecimento do aspecto Legal do “Programa Ler e Escrever.”
3ª atividade: (30m)
Apresentação dos Dados do SARESP 2.009.
Destaque:
Evolução do Ciclo I no SARESP 2.009 em Matemática e Língua Portuguesa;
Análise dos resultados obtidos;
Atenção para os dados considerados INSUFICIENTE;
4ª atividade: (45m)
Retomar a leitura realizada sobre a Tematização da Prática, além de socializar a tabela preenchida.
a) Ações já desenvolvidas na escola que atenda à esta tematização;
b) Combinados com o grupo sobreo trabalho com Tematização.
5ª atividade: (40m)
Concepção de Discurso e Linguagem segundo Kátia Brakling
Vídeo
2º Momento: tarde
1ª atividade: Rede de Idéias: (1h)
Introdução e reflexão sobre o Ensino da Matemática nos dias atuais.
a) Quais as estratégias de Ensino mais usadas pelos professores no Ensino da matemática que você tem observado em sala de aula?
b) Por que os alunos vão perdendo o interesse pela matemática ao longo da escolaridade?
c) Como deve ser um Ensino de Matemática voltado para a vida?
Socialização e discussão do grupo.
2ª atividade: (30m)
Conversas sobre a concepção da Matemática Pronta
a) Reflexão dos pontos destacados nos Slides
3ª atividade (40m)
Assistir o vídeo anotando os aspectos relevantes, de acordo com a planilha:
1. Qual foi o desafio proposto aos alunos?
3. Houve circulação de informações durante a atividade? Em quais momentos?
4ª atividade (1h)
a) Analisar as atividades matemáticas;
b) Socialização das mesmas.
Combinados para o próximo Encontro:
Trazer atividades matemáticas que são realizadas em sala de aula que os professores consideram boas.
Márcia Corrales, Priscila Alquimim, Margarete Borsi
Equipe Ciclo I
Amadora Fraiz V. Della Beta
Supervisora do Programa Ler e Escrever
sexta-feira, 9 de abril de 2010
ORIENTAÇÃO TÉCNICA 08/04/10

“O necessário é fazer da escola um âmbito onde leitura e escrita sejam práticas vivas e vitais, onde ler e escrever sejam instrumentos poderosos que permitem repensar o mundo e reorganizar o próprio pensamento, onde interpretar e produzir textos sejam direitos que é legítimo exercer e responsabilidades que é necessário assumir.”
Délia Lerner
No 3º Encontro, socializamos as pautas de HTPC e também realizamos um levantamento das expectativas do grupo quanto às formações previstas para 2.010.
Neste 4º encontro estaremos retomando as questões referentes às Formações de professores, tarefa específica do Professor Coordenador das Unidades Escolares.
Vamos estabelecer uma rotina de PC que prioriza o acompanhamento em sala de aula, bem como o acompanhamento das modalidades organizativa (projeto e seqüência de atividade) desenvolvidos em sala de aula.
Mais importante do que saber e conhecer a rotina do PC, é saber como pode se pode atuar nos momentos de formação do professor, é necessário transformar as práticas pedagógicas e possibilitar a construção de novos conhecimentos.É reconhecer os registros realizados neste momento de HTPC, é identificar o grupo e a característica deles.
PAUTA
* Identificar um registro reflexivo realizado neste momento de estudo e refletir com o qual realiza atualmente;
* Atuar nos momentos de destinados à formação (HTPC) possibilitando momentos de estudo, de análise e de possibilidade em oferecer um ensino de mais qualidade.
* Planejar uma rotina de trabalho que possibilite o acompanhamento pedagógico nas salas de aula, ou se for o caso, um atendimento individualizado aos professores
* Registro dos momentos de HTPC;
* Análise de registros a partir das reflexões;
* Elaboração de uma rotina prática e atuante
* Possibilidade de reflexão nos momentos de formação
Em grupos, analisar os registros das reuniões realizadas em HTPC, destacando as seguintes características:
a) Características de reflexão do grupo;
b) Característica de reflexão de quem escreve o registro;
c) Aspectos descritivos que aparecem nos registros;
d) Finalidade do mesmo;
e) Qual se aproxima mais da realidade escolar atual.
Levando em conta os pressupostos teóricos que orientam o trabalho de formação, analisem os relatórios de trabalhos desenvolvidos com professores de 4ª série, atentos nos seguintes aspectos:
a) Qual objeto de ensino foi destacado neste trabalho;
b) Quais as condições didáticas oferecidas aos professores para que possam se apropriar desse objeto de ensino;
c) De acordo com a organização qual, ou quais os momentos que possibilitou ao professor desenvolver a própria prática de leitura e escrita.
d) Análise da dinâmica do trabalho e possibilidade de realização nas escolas, o que pode ser realizado e o que precisa ser adaptado.
e) De que forma aconteceu a Dupla Conceitualização:
sabemos que a Dupla Conceitualização acontece em duas etapas: a primeira, propondo atividades desafiadoras e a segundo, quando o formador mostra como ensinar
café
a) Socialização das análises realizadas.
b) Vídeo: Formação de Professores, Beatriz Gouveia
c) Socialização das anotações do vídeo
a) Análise de uma rotina feita por um Professor Coordenador. (modelo em anexo);
b) Leitura do texto, ponto a ponto para reflexão do PC
c) Organizar melhor a rotina de formação, para garantir um bom andamento das funções.
* Expectativas de aprendizagem – com relação aos professores. (espero que os professores possam estruturar melhor a rotina das salas, compreendendo o que é essencial para as crianças)
* Estratégias – como problematizar e encaminhar as questões;
* Recursos: o que será usado de apoio: texto, vídeo, registro, etc;
a) Com foco na rotina do professor de 3ª série, escolha um momento de atividade de análise e reflexão da língua para observar, conforme segue o modelo abaixo:
* O que o professor precisa fazer
* O que o professor precisa saber
* Encaminhamentos do PC
b) Leitura do texto “Os caminhos para a formação de professores: Formar os professores é a principal função do coordenador pedagógico.”
c) Estudar as expectativas de aprendizagem em Língua Portuguesa proposto para os 4º e 5º anos.
Equipe Ciclo I
Amadora Fraiz V. Della Beta
Supervisora do Ciclo I / Programa Ler e Escrever
sexta-feira, 26 de março de 2010
ORIENTAÇÃO TÉCNICA - 25/03/10 (TARDE)

(...) Terás então de ler doutra maneira, Como, não serve a mesma
para todos, cada um inventa a sua, a que lhe for própria, há quem
leve a vida inteira a ler sem nunca Ter conseguido ir mais além da
leitura, ficam pegadas à página, não percebem que as palavras são
apenas pedras postas a atravessar a corrente de um rio, se estão ali
é para que possamos chegar a outra margem, a outra margem é
que importa...” (José Saramago, A caverna, p. 77).
Contexto:
No encontro anterior, abordamos as reuniões de HTPC com os professores dos 1º, 4º e 5º anos, considerando o tempo de estudo de apenas 2 (duas) horas. Nesse encontro, vamos socializar como foi desenvolver nas escolas as pautas que foram planejadas pelos grupos, além de refletirmos sobre o registro destes momentos de estudo.
Sabemos que o trabalho de estudo em HTPC necessita da associação da teoria com a prática, permitindo uma dialógica mudança refletindo na ação – reflexão- ação docente. Por isso, será necessário planejar boas situações de estudo, ora aproveitando as situações de práticas, ora discutindo e complementando com as teorias, argumentando e discutindo novas metas que devem atender a curto, médio e longo prazo.
Definir boas pautas de estudo e também de registros deste momento será o desafio deste nosso 3º encontro.
Objetivo:
* Ter uma boa gestão das horas de estudo no HTPC;
* Saber o que caracteriza uma boa pauta de estudo de modo a atender as necessidades que são diagnosticadas pelo PC;
* Identificar um bom registro deste momento de estudo e refletir com o qual realiza atualmente;
Conteúdo:
* Registro dos momentos de HTPC;
* Análise de registros a partir das reflexões;
Desenvolvimento:
1ª atividade. Leitura feita pela formadora (15 min)
2ª atividade: (1h 30m)
Em grupos, registrar na cartolina a pauta elaborada pelo grupo no encontro anterior, discutindo as seguintes questões:
a) O que foi considerado positivo na pauta elaborada;
b) Quais mudanças podem/devem ser feitas para as próximas;
c) Que conhecimentos novos, foi possível adquirir ao elaborar a pauta com o(s) meu(s) parceiro(s);
d) Quais as características de uma boa pauta de HTPC, o que já sabemos e o que ainda precisamos discutir.
3ª atividade: (1h 30m)
Em grupos, analisar os registros das reuniões realizadas em HTPC, destacando as seguintes características:
a) Características de reflexão do grupo;
b) Característica de reflexão de quem escreve o registro;
c) Aspectos descritivos que aparecem nos registros;
d) Finalidade do mesmo;
e) Qual se aproxima mais da realidade escolar atual.
4ª atividade: 30m
Organizar melhor a rotina de formação, para garantir um bom andamento das funções.
* Objetivo do Professor Coordenador – rotina necessária: O que precisa estar presente de forma permanente, e o que podemos ter como esporádico;
* Expectativas de aprendizagem – com relação aos professores. (espero que os professores possam estruturar melhor a rotina das salas, compreendendo o que é essencial para as crianças)
* Estratégias – como problematizar e encaminhar as questões;
* Recursos: o que será usado de apoio: texto, vídeo, registro, etc;
5ª atividade: Tarefa (10m)
Com foco na rotina do professor de 3ª série, escolha um momento de atividade de análise e reflexão da língua para observar, conforme segue o modelo abaixo:
* O que o professor precisa fazer
* O que o professor precisa saber
* Encaminhamentos do PC
Até o próximo encontro.
Márcia Corrales, Priscila Alquimim e Margarete Borsi
Equipe Ciclo I
Amadora Fraiz V. Della Beta
Supervisora do Ciclo I / Programa Ler e Escrever